terça-feira, 8 de agosto de 2017

H-alt #04



Sérgio Santos (ed.) (2016). H-alt #04. Lisboa: ComicHeart/H-alt.

Corro o risco de me tornar repetitivo ao avaliar cada novo número da H-alt. Mas de facto não há muito mais a dizer sobre a publicação. Continua a ser um veículo de edição para os mais recentes autores de BD portuguesa, suspeitando que se para muitos dos nomes que vão surgindo na revista este será o seu ponto máximo e seguirão outras profissões (nestas coisas das artes, o "a vida acontece" tem tendência a arrasar as boas intenções), outros continuarão e afirmar-se-ão futuramente como ilustradores e argumentistas da BD portuguesa. A H-alt consegue um curioso misto entre juvenilia e qualidade, percebe-se a pouca sofisticação e inexperiência patentes na maior parte das histórias, mas também se percebe a garra e vontade de melhorar. Nisso, o trabalho de editor tem sido mais cuidado. Se nas primeiras edições havia uma sensação de qualquer coisa seria publicada, nas mais recentes notam-se critérios de qualidade. Claro que, no âmbito da publicação e no formato narrativo curtíssimo, não podemos esperar o extraordinário, mas é mesmo isso que valorizo na H-alt: o ser não trampolim mas canal aberto para os jovens criadores, porque como se sabe, o ato de criação é iterativo. Quanto mais histórias concebem e ilustram, mais estes criadores desenvolvem os seus estilos e técnicas narrativas. É este o real papel de incentivo que a H-alt trás ao panorama da BD nacional.

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